sexta-feira, 25 de setembro de 2009

tempus de opções pela Coisa Pública

Na Educação:
Não! Não quero que as nossas escolas permitam que pessoas sem esforço e trabalho continuem a transitar de ano. Nem até à 4ª classe, qt mais até ao 12º ano. Além de não aprenderem, complicam a vida e o esforço de quem quer aprender.

Na Saúde:
Não! Não quero que tenhamos pessoas sem ter consultas de imediato quando se confrontam com problemas de saúde. Se não têm consultas nos 8 dias seguintes, deverão seguir para a privada e apresentar a factura ao Estado, porque este, constitucionalmente, diz que temnos o direito à saúde gratuita. Muito menos nas urgências. Uma melhor saúde é o primeiro passo para uma melhor produtividade e para uma vida mais feliz.

Na Justiça:
Não! Não quero que a justiça seja para quem tem a carteira recheada. As custas judicias e os formalismos processuais sobrepõem-se à Justiça das decisões. Os juízes, se são independentes, devem ser pro-activos na procura da justiça e não se devem esconder nos formalismos. Estes, actualmente fazem Direito e não fazem Justiça.

Estes 3 pilares de uma sociedade moderna têm que ser respeitados sob pena de sermos mais pobres, mais injustos e mais infelizes.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

tempus de histórias

pequeno almoço no bairro de stª catarina

No bairro de Santa Catarina, um pouco mais abaixo do maravilhoso miradouro que tem o nome do bairro, mantém-se viva a abertura da porta aos clientes às sete e meia da manhã. É a tasca do Mário e do Jaime que, ininterruptamente, sem Domingos ou dias santos, dá os bons dias àquele típico e central bairro lisboeta.

Naqueles 30 metros quadrados de mosaico popular, decorado com mesas quadradas de madeira e tampos de mármore, gasto pelos anos, de armários de madeira simples pintados de verde claro, com as típicas garrafas de bebidas cheias de pó que, não envelhecendo, dão aos visitantes a antiguidade do local que pisam. Quando se entra, à esquerda, encontra-se uma prateleira simples com o fatal engenho que revolucionou o mundo, comummente chamado de televisão, mesmo por cima da porta que dá acesso a um cubículo conhecido por urinol.

De frente para quem entra na tasca, por trás do balcão que se atravessa a toda a largura, está sempre, ou o Jaime ou o Mário. São dois irmãos que rondam os sessenta anos de idade. O mais velho, creio, é o Jaime, sportinguista ferrenho que tem o futebol e a vida do bairro como principais assuntos de conversa com os clientes. O Mário, benfiquista pouco falador de desporto, muito menos falador em tudo, tendo em consideração a língua de palmo e meio do Jaime, mas não deixa de dizer mal dos políticos e da sociedade em geral. Dedica-se à sua horta e à alimentação dos pombos do bairro, fazendo-lhes papas e papitas especiais para os que vão aparecendo feridos.

A horta é engraçada! É um espaço de quintal de uma casa em ruínas, desabitada, e que se encontra mesmo ao lado do edifício de princípio de século onde está a loja. Lá semeia alguns legumes, tem duas ou três árvores de fruto… e, de vez em quando, oferece aos clientes antigos, alguns dos seus produtos da horta, como uns pimentos, umas couves…

Aquela loja, ou taberna, ou mesmo venda, tem um pouco de tudo: ovos, fiambre, pão, tabaco, chocolates, rebuçados e chupas, leite…, “copos de três”, o café da ordem… e o mais afamado galão que, nos diários e repetidos comentários do Mário e do Jaime, ainda são servidos à moda antiga, com leite do dia fervido.

- Bom dia Sr. Jaime, como está?- Cai se vai… ( respondeu o Jaime)- Dê-me um galão e uma “sandes” de fiambre, por favor! Enquanto respondia ao Sr. Alexandre, já os seus passos se inclinavam para a divisão anterior ao balcão, onde tem o fogão e o leite do dia preparado com o mesmo carinho de sempre. Entretanto, o Sr. Alexandre sentava-se a um canto, procurava o “Correio da Manhã” numa das mesas e entretinha-se numa leve leitura de títulos, enquanto esperava o pequeno almoço.

Passados breves minutos, entrava o Mário. Vinha da horta com um punhado de grelos e, vendo o Sr. Alexandre, comentou:- Bons dias! Já viu estes grelos? Diga lá que não estão lindos…
- Bom dia, Mário! Realmente estão bonitos. Retorquía o cliente.
E continuava o Mário:- O senhor viu o “tempo”? A televisão disse que a chuva se mantinha durante toda a semana sem parar… isto está cá a ser um Inverno…ai Jesus! Isto de eles andarem a mexer no buraco do ozono tem muito que se lhe diga… Há quanto tempo é que se não tem um Inverno e um Verão com regularidade? Já não há memória…
- Pois é. Respondia o Sr. Alexandre. Isto está tudo a mudar…- Só o que não muda é o Futebol Clube do Porto, retorquía o Mário. Viu o que aconteceu mais uma vez? No último minuto lá o Pinto da Costa piscou o olho ao árbitro e lá veio aquele penalti.
- Lá isso é verdade. Aqueles tipos têm sempre uma sorte doida.
- Sorte! Exclamou o Mário. Se o senhor chama a isto sorte… duvida que aquilo não seja obra daquele homem? Pois eu cá não duvido.

Neste vai não vai de comentários desportivos, chegava o Jaime com a sandes e o galão e com um comentário na boca:
- Hoje o problema está nos cifrões e não no amor à camisola. Antigamente víamos os jogadores a fazer o que não podiam por uns míseros escudos. Agora, não fazem nada, não marcam golos, as pessoas desmoralizam e não vão aos estádios, pois está claro!

Nesta conversa circunstancial, entra uma senhora vestida sem cuidado, típica daquele bairro em que se mistura a aristocracia, o novo riquismo e os demais andantes populares, e diz:
- Ó Jaime, hoje só quero pão. A senhor’Ana vende o leite a menos cinco escudos o litro…
Indignado, o Jaime respondeu:
- Ah! Vende mais barato? Então porque não compras lá o pão também? É para poupares dinheiro para os do “Reino de Deus”? Andam os teus filhos aí aos “caídos”, e tu andas nessas aldrabices…

Com este comentário, a senhora saiu com a velocidade que podia, comentando para si de forma a que todos ouvissem:
-“ tens muito a ver com isso… a tua vida anda linda… E lá foi a senhora rua abaixo.
Com a saída da insólita senhora, de traços populares e brejeiros, o Jaime não perdeu tempo para comentar a forma como ela seguia a “boa nova”:
- Vejam bem! Andam os filhos aí a cair de maduros, não toma conta deles, o pai vem a casa quando lhe dá na veneta e ela, não deixa de duas ou três vezes por semana ir lá deixar o dízimo àqueles ladrões… Eles não têm culpa... Ela e os outros é que não têm juízo nenhum. Era o que mais faltava! Andamos aqui a trabalhar para sustentar larápios!…O Sr. Alexandre, sarcástico, nunca perdia um desabafo do Jaime sem meter mais uma colherada para o espicaçar:
- Ó Sr. Jaime, ouvi dizer que há uns anos atrás você andou a namoriscar a criada do Dr. Lopes Dias…
- O quê? (respondia o Jaime) Ela é que em vez de fazer o que lhe competia, arranjava desculpas aos senhores para vir para aqui fazer-me conversetas.
E mais uma vez perguntava o Sr. Alexandre:
- Que conversetas é que ela lhe fazia? Ou era você que fazia a converseta?
Respondia o Jaime:
- bem, não andamos aqui a falar sozinhos, não é? Mas a verdade é que ela era um mulherão! Não era nada para se deitar fora…
- Ah! Então sempre houve coisa…(comentava o cliente)
- Qual coisa, qual carapuça! Nunca lhe toquei… nem ela a mim! (respondia o Jaime)
- Então porquê? (Voltava à carga o cliente)
- Porque antes não era como hoje! Agora é o que se vê! Dormem com todos e os homens nem se importam!… Mas a minha filha que está a estudar para doutora tem bem noção de como são as coisas e não admito más criações e, se se comportar mal, já sabe; RUA!
Já contente com a banal conversa, o Sr. Alexandre, pagando a conta, fazia o último comentário:
- Afinal era verdade…( e ia saindo…)
O Jaime, nesse momento, ficava em brasa e quase gritava:
- Qual verdade… E que conversa será esta depois de para aí trinta anos?
Mas ficou a pensar… Talvez arrependido pelo que não fizera.

tempus de carta

Escrevi-te os anteriores versos de noite. A noite dá-me paixão e sossego. Ainda não te consegui descobrir de dia que não nos Açores! Lá, escrevi-te com a calma a que obrigas; Ouvíamos o som da terra quente; as telas cinzentas dos céus contrastavam com a fogosidade do sol! Descobriam-se volumes mágicos nas nuvens e focavam as verdadeiras cores e brilhos - Quase que emanavam da síntese do “Belo”! És tu poesia que te deixas embriagar com a natureza. Misturas-te magicamente com o mundo, com as gentes. Já te tornaste amiga minha. Foste mesmo a muda forma de te fazer comunicar sem te apartares da lógica cibernética. Tens uma química distinta da febre da moda. Conheces de perto a solidão e a mágoa, a paixão, a raiva, o ódio, a censura, a desgraça, intempéries mas… a parede da tua amizade não existe. Essa história de boa e má poesia faz lembrar-me o comum machismo quando comenta: - “ Aquela gaja é boa!” E, na verdade, como as mulheres, belas e diferentes, vão casando-se, vão cansando-se, vão emancipando-se… salvo tua melhor opinião, deves começar a ter cuidado hoje em dia! Penso que será mesmo uma questão de segurança! Estamos culturalmente “MODAdos” com os conceitos, com a meticulosidade, com a aglutinadora máquina das regras! E tu? Tens regras? Minha anarca ! Crias as tuas regras ocasionais, oportunas, flexíveis, espirituais…Tu até és cantada! És pintada! És mesmo perceptível e colhida das árvores, pincelada nas telas e nos sons reproduzida. És normalmente convidada a participar na angústia mas, a esta, pronuncias-lhe o sonho. Purificas a ciência do homem no reconhecimento da fragilidade dos seres do planeta, do mosquito à aranha, da Zebra ao elefante, à girafa, ou mesmo ao escaravelho que prepara a sua bola de estrume de que se alimenta. Outra virtude que te reconheço é sem dúvida a certeza vaga da morte. Teimas em eternizar-te nos papiros, papéis A4, blocos de notas, princípios de sonhos, derrotas de vida… e mesmo em “acções de graças…”Crias paciência ao celebrares o teu próprio altar na história dos sonhos de muitos que viveram décadas de conversas contigo. Gosto de ti - Porra! Diria o meu amigo alentejano;Na nossa relação, nestes passados anos, fiquei com a nítida sensação de que, ou tens uma má formação no teu carácter ou, e prefiro crer neste pressuposto, de simplesmente seres a porta-voz das almas mudas…Gostei de conversar contigo nestas linhas!Saúde para ti e para os teus.
Um sincero abraço

tempus de poesia

Nas pedras do Gerês,
gentes criaram no frio
a caça do sonho,
que fez das fragas
os velhos segredos
das aldeias de granito.
As ruas, ao lado dos rios,
soltam o sol, e os orvalhos
deste palácio,
perdem-se nas manhãs,
e ouvem-se as águas das fontes
e os cantares dos montes.
À noite,
as malgas aquecem as almas
e as palmas, os sonhos
dos filhos de longe...
Como rezam os deuses da serra,
da terra que os cria.
como choram a ausência dos mares,
a força dos ares
e a distância dos seus.
É a sorrir que acordam o sol,
que teimam as manhãs
e que é o Gerês.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

tempus de história(s)



Um livro de História que encanta por estar muito bem escrito, por revelar um personagem ímpar na história portuguesa, o Conde de Farrobo. O Brasil, os Miguelistas, o grito do Ipiranga...uma lição de história interessantíssima que RECOMENDO!